Conheça o ciclo da produção de papel

Para muitas pessoas, o principal impacto que a produção de papel causa no meio ambiente é a extração da madeira que dá origem a celulose, principal matéria prima do papel. No entanto, você sabia que o ciclo do papel consome de forma alarmante muitos outros recursos como água e energia, causando também consequências sociais? Neste artigo do papelada você vai conhecer algumas etapas da produção do papel que vão te fazer pensar e repensar o seu uso.

Nem só de celulose é feito o papel

É difícil encontrar dados oficiais sobre a quantidade de madeira usada na produção de papel, mas o mercado estima que para produção de uma tonelada do tipo ondulado, usado em caixas e embalagens, são necessárias de duas a três toneladas de madeira.

Depois que a celulose é extraída dos troncos, ela passa por muitas etapas de lavagem, cozimento e pressurização que exigem até 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia por tonelada. Sabe-se que para cada folha de A4, papel muito usado em escolas e escritórios, são gastos por volta de 10 litros de água, segundo a organização mundial Water Footprint Network (o papelada já falou sobre isso neste artigo)

As regiões que servem de base para grandes fabricantes de papel sofrem grande impactos pois muitas vezes a água usada na produção de papel vem dos afluentes do entorno. A consequência é que além comprometer o abastecimento da população, alguns córregos chegam até mesmo a secar.

Reflorestamento

No Brasil, as estatísticas oficiais do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) afirmam que 100% da produção de papel usa madeira de áreas de reflorestamento, geralmente árvores das espécies eucalipto e pinus.

Sem dúvida, extrair árvores dessas áreas é melhor do que desmatar matas nativas, mas ainda assim o ambiente e a população que vive próxima dessas áreas sofrem consequências características da monocultura que compromete a biodiversidade das matas, exige muito dos recursos hídricos da região, enfraquece a geração de novos empregos e a cultura local.

Como o papel fica branco?  

Quando falamos das alvas folhas de papel A4, muito comuns na nossa vida cotidiana, nem imaginamos que para que elas fiquem branquinhas a celulose passa por várias fases de lavagem em que são usados diversos reagentes químicos e inorgânicos.O processo libera gases tóxicos e gera uma grande quantidade de resíduos líquidos, os efluentes, que de tão contaminados precisam ser tratados antes do descarte, procedimento que nem sempre é realizado pelas fábricas.

Na Europa, o clareamento usando derivados de cloro praticamente já não é usado e foi substituído pelo branqueamento por oxigênio. No Brasil, poucas empresas adotam essa prática e muitas ONGs e institutos de proteção ambiental acreditam essa mudança ainda não ocorreu devido a pressão da indústria química nacional.

E depois que o papel vira papel, os impactos continuam

Podemos enumerar outras etapas além da produção de papel que também deixam um lastro de poluição, como o transporte de toras, celulose e papel que é feito por caminhões, já que o país não conta com malha ferroviária. Esses veículos queimam combustível fóssil e deixam uma enorme pegada de carbono. Da extração da madeira até aquela impressão que as vezes fazemos sem pensar, uma quantidade enorme de lixo é gerada.

Uma mudança de atitude

Ainda não é possível simplesmente viver sem o papel, mas podemos sim repensar algumas hábitos que progressivamente podem diminuir o grande impacto que toda a cadeia de produção de papel causa.

Se atualmente a maior parte das nossas compras e transações bancárias são feitas online usando “dinheiro de plástico”, o cartão, ou até criptomoeda, o bitcoin,  por que não pensar em lidar com nossos documentos, arquivos, contas e faturas de forma mais digital também? Para isso, existe o papelada. Assim você faz as transações via internet e armazena os recibos, organiza tudo na sua conta e ainda controla melhor seus gastos.

Indo um pouco além e pensando nas relações de consumo, já existe um forte movimento em outros países que prioriza produtos que usem menos papel e plástico nas embalagens.

Há até um supermercado em Berlim pioneiro em oferecer produtos 100% sem embalagem. Lembra das vendinhas de antigamente onde a maioria das mercadorias eram compradas a granel? Então, algo nessa linha.