CONSUMISMO INFANTIL: O DESAFIO DO NATAL E DAS FÉRIAS

O período de fim de ano, quando chegam as férias e também o Natal, trazem um desafio extra para os pais em relação ao fantasma do consumismo infantil e à conscientização das crianças sobre o desejo cada vez mais desenfreado de ganhar mais e mais presentes, leia-se brinquedos. Um videogame novo; a boneca, o livro, a mochila e a lancheira do personagem preferido; mais um boneco daquela coleção e assim por diante. Por essas e outras, e pela compreensível dificuldade de impor limites e dizer “não” aos filhos, observamos cada vez mais iniciativas que procuram alertar as famílias em relação ao consumismo infantil.

Pedagogos e psicólogos são unânimes em afirmar que é brincando que as crianças  desenvolvem suas habilidades e reconhecem o mundo ao redor. Ou seja, a brincadeira é fundamental, não necessariamente o brinquedo. Quando o acompanhamos o desenvolvimento de bebês e crianças percebemos que uma tampa de panela e uma colher de pau podem entretê-los durante horas. Isso não quer dizer que devemos abolir os brinquedos, mas que devemos ensinar nossos filhos a ser inventivos e que o exagero pode ser prejudicial. Por isso, pesquisamos e preparamos algumas dicas sobre como gerenciar os  presentes de maneira educativa, evitando o consumismo infantil, que é mais um dos males do nosso tempo.

Vamos imaginar um exemplo hipotético: Beatriz, cinco anos, filha de Antônio e Cristina, tem um quarto lotado de brinquedos, dos mais variados tipos. Na última contagem, eram aproximadamente 35 itens. Neste Natal, Bia ganhou mais seis brinquedos – além do que recebeu do Papai-Noel, seus avós, tios e padrinhos também a presentearam. Vamos acompanhar o que aconteceu:

  1. Arrumar e doar

Passados alguns dias do Natal, Cristina chamou Bia para arrumar os brinquedos e deixou a menina decidir onde deveria guardar os novos. A intenção era direcionar a percepção dela sobre o fato de ter muitos brinquedos, inclusive em quantidade superior a que ela consegue efetivamente usar. A mãe explicou que devemos sempre doar aquilo que não usamos mais e convidou a filha a separar três itens para doar. Também solicitou que a filha recolhesse uma boneca que tivesse com algum tipo de defeito.

  1. Doação

Enquanto isso, Antônio pesquisou uma instituição que cuida de crianças em vulnerabilidade social e fez questão de levar Bia com ele, para que ela percebesse que existem meninos e meninas que vivem de outro jeito e que adorariam poder ganhar novos presentes também.

  1. Quebrou? Vamos consertar!

A tarefa seguinte era mostrar a Bia que as coisas que quebram podem ser reparadas em vez de simplesmente serem descartadas. A menina mostrou à mãe uma boneca que estava com a roupa rasgada. Cristina propôs então que juntas fizessem novas roupas, só que desta vez de papel, o que incentivaria Bia a criar novas possibilidades

  1. Quem guarda, tem!

Não é raro que as crianças prefiram um brinquedo em relação aos demais. Por isso, muitas vezes, ao ganhar vários presentes, os pequenos acabam não fixando tudo o que receberam. Nessa hora, a ação dos pais é fundamental. Voltando ao nosso exemplo: Antônio pegou os três presentes que sobraram e guardou no fundo do armário. A ideia era voltar a entregá-los à Bia em momentos futuros, em novas datas comemorativas ou como um reforço positivo quando a filha tivesse excedido as expectativas em relação a alguma tarefa de sua responsabilidade.  

Essas quatro ideias não são complexas, mas requerem de pais e cuidadores tempo, disponibilidade e paciência, atitudes fundamentais na complexa arte de educar. Mas o investimento, sobretudo de tempo, para criar filhos criativos e longe das armadilhas do consumismo infantil tende a trazer suas recompensas.