PAPEL: QUAL O CUSTO AMBIENTAL DE UMA FOLHA A4?

Quando manuseamos uma leve e frágil folha de papel, não imaginamos o pesado processo industrial que torna possível a sua produção. E pouco refletimos sobre os impactos deste processo fabril no meio ambiente. Para se produzir uma folha de papel A4, formato utilizado rotineiramente em casa e no trabalho, são necessários, em média, 10 litros de água, segundo a organização mundial Water Footprint Network. Cálculos da revista O Papel mostram ainda que a fabricação de uma folha de papel A4 consome 0,013% do tronco de uma árvore de eucalipto. Um tronco inteiro, portanto, gera 7.550 folhas de papel. Considerando o consumo per capita de papel no Brasil, de cerca de 50 quilos por ano – o equivalente a 10.600 folhas A4 –, significa que cada pessoa consome anualmente quase uma árvore e meia de eucalipto. Agora, multiplique este número por 206 milhões de brasileiros!

Todos queremos contribuir para a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade do planeta. Para isso, o primeiro passo é a mudança interna. Transformarmos nossas rotinas, comportamentos e atitudes para adotarmos o consumo consciente de bens e produtos. A utilização do papel é um exemplo. Com o avanço da tecnologia, já é possível minimizar – e muito – o emprego deste produto em nossas vidas, evitando desperdício ou uso indevido de papel. Porém, nós ainda relutamos em adotar, de fato, esses novos hábitos e comportamentos, seja por conveniência, apego ou medo das inovações.

Para dar um empurrãozinho na direção das práticas mais sustentáveis de (não) consumo de papel, listamos a seguir sete maneiras de reduzirmos o emprego deste produto em nossas vidas, por meio da tecnologia. Com ela, largamos os velhos hábitos como roupas que já não nos cabem mais. A cada uma dessas práticas, caberá o dever de nos perguntarmos: estamos realmente dispostos a mudar a forma como agimos e contribuirmos efetivamente para a sustentabilidade do planeta?

7  dicas para evitar o consumo do papel  

  1. Lermos apresentações, contratos, estudos, pesquisas e documentos na tela do computador, notebook ou, de preferência, em tablets, evitando o desperdício com impressões em papel.
  2. Salvarmos arquivos digitais dos documentos na nuvem (espaço virtual de armazenamento), em discos externos ou pen drives em vez de guardar as cópias físicas em armários, gaveteiros e pastas. Além de não ocupar espaço físico, o arquivamento digital possibilita a organização e o acesso rápido aos documentos, com o auxílio da busca por palavras-chave.
  3. Evitarmos o uso da fotocopiadora: podemos escanear o RG, CPF, carteira de motorista, declarações e outros documentos pessoais e enviar os arquivos digitais para o nosso e-mail ou serviço de armazenamento virtual, como o Dropbox, por exemplo. Dessa forma, eles estarão sempre disponíveis quando precisarmos deles, sem a necessidade de realizarmos novas cópias.
  4. Substituirmos o livro físico pelo digital. Os livros digitais são mais baratos do que os impressos, podem ser adquiridos rapidamente em livrarias e acervos online, com o download imediato da obra, não ocupam espaço físico em nossas casas e são lidos confortavelmente em tablets, que nos dão a opção de grifar o texto, fazer buscas por palavras, anotar passagens etc. Tudo bem: somos apegados aos livros, ao cheiro de suas páginas, ao manuseio da obra. Mas o momento é de repensarmos esses hábitos e nos abrirmos para o novo, que passa pela expansão da virtualização dos livros e o seu consumo pelo público leitor.
  5. Em aniversários, festas de fim de ano e datas comemorativas, enviarmos cartões virtuais para amigos e parentes no lugar dos de papel. Podemos encaminhar esses cartões digitais em várias plataformas: e-mail, mídias sociais (como o Facebook) ou WhatsApp, por exemplo. E não pagamos pela postagem!
  6. Adotarmos definitivamente o home banking: não há mais sentido em ir a um caixa eletrônico e imprimir extratos e saldos ou comprovantes de transferências e pagamentos. No site dos bancos e nos seus aplicativos para celular, realizamos todos os serviços bancários de que necessitamos, salvando comprovantes e documentos digitalmente. Tudo isso sem o manuseio de um papel sequer.
  7. Dar fim à fatura ou conta em papel. Uma alternativa eficiente é a utilização do aplicativo papelada, que funciona como uma caixa postal digital. Nele, recebemos e acessamos, via celular, todas as nossas contas em formato digital, que são rastreadas pelo nosso número do CPF. Isso evita a emissão ou postagem da fatura em papel. Estima-se que, no Brasil, são geradas 3 bilhões de faturas por ano. Vamos fazer uma conta simples: se consideramos que cada fatura seja impressa em uma folha de papel A4, e que para produzir 7.550 folhas neste formato é necessário consumir uma árvore inteira de eucalipto, então precisaremos derrubar 397 mil árvores anualmente somente para produzir o papel que é utilizado nas contas e faturas que chegam às nossas casas e escritórios todos os meses. Ao adotarmos o acesso à fatura virtual, damos uma ajuda e tanto para reduzir o impacto ambiental da produção do papel e avançar rumo à sustentabilidade do planeta e das próximas gerações.