A ECONOMIA COLABORATIVA VAI INVADIR SEU ARMÁRIO

O conceito de economia colaborativa está sendo replicado em diversos segmentos e um deles é a moda. Seguindo preceitos da economia compartilhada e transformando posse em propriedade, modelos inovadores de negócio têm surgido, entre eles “Netflix” de roupas, curadoria de peças usadas e eventos para troca de vestuário. Tudo isso com um objetivo: unir a moda ao consumo consciente.

Seja na alta costura ou em grandes redes de fast fashion, o modelo que movimenta economicamente o mercado da moda têm sido o mesmo: uma enxurrada de novas peças de roupas enche as araras a cada estação. Incentivados por esse ciclo de consumo, compramos roupas e mais roupas que entram para nossos guarda-roupas independente da frequência que serão usadas. No entanto, esse padrão está esbarrando numa nova consciência de consumo que leva em conta os impactos de nossos hábitos nos recursos não renováveis do planeta. Não é à toa que sacola com os novos looks vem acompanhada de um certo sentimento de culpa.

Empreendedores e startups estão trabalhando para mudar esse paradigma ao unir algo que antes parecia um conflito: ter um guarda-roupa sempre renovado sem necessariamente acumular peças e mais peças no closet. É a economia colaborativa transformando o negócio da moda e criando market places para que as pessoas possam vender/comprar/trocar/alugar aquele item que está parado, permitindo que ele seja útil o tempo todo.

A House of Bubbles, por exemplo, funciona como um Netflix de roupas, ou seja, por um valor mensal a partir de R$ 50,00 o assinante pode pegar roupas emprestadas à vontade. Há também a possibilidade de deixar peças para serem alugadas e receber uma porcentagem por isso. O negócio vai bem, obrigada, e há planos para uma versão do House of Bubbles Baby, pensando em como os pequenos perdem rápidos as roupinhas.

A BLIMO funciona da mesma forma, porém a assinatura começa a partir de R$ 130,00. Lá, graças a economia colaborativa, é possível alugar modelos de grifes internacionais famosas como Versace ou um Armani. E as gestantes têm um Plano Cegonha, um alento para as futuras mamães que sofrem para ter um guarda-roupa até o fim da gestação, muitas vezes investindo em peças caras que não podem ser reutilizadas quando o corpo volta ao normal.

O Projeto Gaveta surgiu do desejo das amigas Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino divulgarem no Brasil o conceito de clothing swap, muito comum na Espanha onde as duas se conheceram. Quando iniciaram, a ideia era promover eventos para troca de roupas. Atualmente o Projeto Gaveta cresceu e tornou-se um movimento que incentiva o consumo consciente, a economia colaborativa, sem deixar de lado a moda como expressão pessoal e de estilo. O evento para troca ainda acontece uma vez por ano e o projeto faz a curadoria das peças dos participantes. As roupas selecionadas para troca viram “moedas gavetas” para serem usadas no dia do evento. Aquelas que não têm potencial de troca, são doadas para instituições de caridade.

Com a economia colaborativa cada vez mais presente nas relações de consumo não só de serviços, mas de produtos também, fashionistas podem continuar seguindo as tendências da moda sem necessariamente acumular e possuir. Aproveitando o lema do Projeto Gaveta: Ser mais, possuir menos!