ECONOMIA COLABORATIVA: UM NOVO JEITO DE FATURAR

Um dos reflexos imediatos da crise econômica brasileira é o aumento do desemprego.  Apesar do cenário de dificuldades, o fato é que a vida não para e, a cada dia, precisamos levantar recursos para pagar as nossas contas e satisfazermos as nossas necessidades. Se a “porta” dos novos empregos se encontra hoje praticamente fechada (ou, no máximo, com uma fenda à mostra), uma outra porta, por sua vez, está escancarada e repleta de oportunidades para quem precisa gerar renda e reduzir despesas: a economia colaborativa.

Mas o que é a economia colaborativa? Trata-se de um novo sistema de compartilhamento de bens e serviços entre as pessoas, mediado geralmente pela tecnologia, em especial aplicativos para celular e sites. Já pediu um carro pelo Uber? Ou alugou um quarto no Airbnb? Então você já cruzou as fronteiras deste novo mundo, em que podemos alugar nosso carro ou bicicleta para o uso de terceiros, locar a furadeira do vizinho ou nos hospedarmos na casa de um desconhecido nas férias. Na economia colaborativa, somos ao mesmo tempo fornecedores e consumidores, e a posse de bens e produtos não é mais uma necessidade – o que se busca é o acesso a eles, para nosso uso.

Certo, e o que ganhamos com isso? A resposta está em uma palavra: oportunidades. Por meio da economia colaborativa, temos novas oportunidades de gerar receita com os bens que possuímos e os serviços que somos capazes de realizar para os outros e, ao mesmo tempo, podemos desfrutar, a preços mais baixos, dos bens e serviços que outras pessoas disponibilizam para nós. Um exemplo: se a família Rodrigues possui um carro e o veículo sai da garagem apenas duas vezes por semana, então está perdendo a oportunidade de gerar receita com o automóvel, deixando-o parado na vaga nos outros cinco dias da semana. O carro poderia ser disponibilizado para o aluguel de terceiros, em aplicativos como o Fleety, o que traria dinheiro adicional para a família. Ou, ainda, os Rodrigues poderiam vender o veículo e passar a utilizar o Uber ou o próprio Fleety para suas necessidades de transporte na cidade. Nos dois casos, sairiam ganhando financeiramente, o que é uma vantagem crucial, sobretudo em um país em recessão e com muitos desempregados à procura de novos meios de ganhar a vida.

 

Como rentabilizar a nossa vida?

Estamos na mesma página: o mar não está para peixe e precisamos rentabilizar nossas vidas – ou seja, reduzir despesas e gerar receitas, como for possível. Mas como podemos fazer isso na prática? E como a economia colaborativa pode nos ajudar? Para respondermos a essas questões, vamos acompanhar o exemplo fictício do Seu Antônio, um engenheiro de 50 anos que perdeu o emprego e agora busca dinheiro para sustentar a família. Ele não tem renda nenhuma e, cansado de procurar emprego, decidiu experimentar as possibilidades que a economia colaborativa oferece. Então: o que tem feito, Seu Antônio?

Seu Antônio alugou o quarto

A família do Seu Antônio mora em um apartamento bem localizado em São Paulo. Nele, havia um quarto vago, que antes era utilizado como escritório. O engenheiro tratou de registrar o quarto no aplicativo Airbnb – plataforma de aluguel de espaços para hospedagem de viajantes. Inicialmente, estabeleceu uma diária de R$ 80 para atrair mais hóspedes. Em um mês, locou o espaço durante 20 dias, recebendo R$ 1.600. Com as avaliações positivas que recebeu dos hóspedes, Seu Antônio pode subir o valor da diária para R$ 180 e, atualmente, aluga o quarto 15 dias por mês, o que gera uma renda de R$ 2.700.

Seu Antônio alugou o carro

O engenheiro tem um carro Sedan que, anteriormente, utilizava para se deslocar para o trabalho. Após perder o emprego, o carro ficou parado na garagem. Seu Antônio decidiu, então, registrá-lo no Fleety (outra opção: Pegcar), aplicativo para aluguel de veículos a terceiros. Ele estipulou em R$ 40 o valor do aluguel do seu carro por hora. Por meio desta iniciativa, Seu Antônio tem conseguido, por mês, alugar o veículo por 30 horas, o que rende R$ 1.200.

Seu Antônio reduziu os custos da viagem para ver a mãe

Seu Antônio viaja todos os meses de São Paulo a Belo Horizonte para ver a mãe doente. Costuma pegar estrada com o carro, sozinho, na sexta à noite, voltando no domingo à tarde. Para dividir os custos da viagem com outros passageiros, inscreveu-se no aplicativo de compartilhamento de caronas BlaBlaCar. Assim que informa o itinerário e a data da viagem, ele consegue mais três passageiros para compartilhar o trajeto. Cada um paga R$ 50 para ele, por trecho, totalizando R$ 150. Se antes ele pagava todos os custos da viagem sozinho – algo em torno de R$ 400 (ida e volta) – hoje ele paga apenas R$ 100, reduzindo seus custos em R$ 300 por viagem.

Seu Antônio alugou a máquina fotográfica

Apaixonado por fotografia, Seu Antônio tem uma máquina fotográfica de boa qualidade, com a qual registra o cotidiano da cidade nos fins de semana. Contudo, durante a semana, ele não consegue utilizar o equipamento, por falta de tempo, e a máquina fica mofando no armário. Seu Antônio optou por cadastrar a sua máquina no aplicativo Alooga (outra opção: Rent for all), que é uma plataforma de aluguel dos mais diversos objetos. Ele estipulou em R$ 140 a diária para o aluguel de sua máquina fotográfica. Desde então, seu Antônio tem conseguido alugar o equipamento cinco dias por mês, o que gera R$ 700 em receita.

Seu Antônio virou guia turístico de São Paulo

Seu Antônio tem tempo, conhecimento sobre a história e os pontos turísticos de São Paulo, e fala inglês muito bem. Ora, por que não se tornar um guia turístico da cidade em que mora? Foi o que ele fez, ao se cadastrar no aplicativo Rent a local friend, disponibilizando-se para ser um guia amador da cidade, levando turistas aos pontos históricos e culturais. Ele delimitou o preço de R$ 200 pelo serviço. Ele já conheceu pessoas de várias partes do mundo e, por mês, tem feito cerca de sete tours com turistas, o que lhe rende R$ 1.400 – fora as gorjetas!

Seu Antônio alugou a vaga na garagem

O prédio em que Seu Antônio mora com a família dá direito a duas vagas na garagem. Como sempre tiveram apenas um carro, alugavam a outra vaga para o vizinho, por R$ 150 ao mês. Mas Seu Antônio decidiu pegar a vaga de volta depois que conheceu o aplicativo ezPark (outra opção: ParkingAki), que encontra vagas de estacionamento para seus usuários na cidade. O prédio de Seu Antônio fica em uma área muito agitada, em que geralmente não há vagas na rua e onde os estacionamentos privados são muito caros. Ele cadastrou a vaga no aplicativo, colocou o preço de R$ 10 por hora e definiu, como período de utilização, de 10h às 17h, apenas durante a semana. Desde então, seu Antônio tem conseguido alugar a vaga, em média, cinco horas por dia, o que tem lhe garantido, por mês, uma renda de R$ 1.000.

E afinal, como está a vida Seu Antônio?

Seu Antônio não imaginava que a economia colaborativa poderia lhe ajudar tanto a superar as dificuldades da crise econômica e o desemprego. Ele fez as contas e, orgulhoso, mostrou aos amigos o dinheiro que tem conseguido levantar por mês apenas com ações compartilhadas:

Aluguel do quarto: R$ 2.700

Aluguel do carro: R$ 1.200

Compartilhamento de caronas: R$ 300

Aluguel da máquina fotográfica: R$ 700

Atuação como guia turístico: R$ 1.400

Aluguel da vaga na garagem: R$ 1.000

Segundo os cálculos, Seu Antônio tem gerado uma receita total de R$ 7.300 por mês apenas com ações de compartilhamento, sendo que parte deste valor vai para despesas com manutenção, limpeza, transporte e as comissões cobradas pelos aplicativos, o que, ele estima, chega a 15% do total. Ou seja, sobram na mão dele, líquidos, R$ 6.205. Nada mal, Seu Antônio! E o melhor: o engenheiro tem conhecido gente do mundo inteiro, tem feito muitas amizades, tem praticado o inglês como nunca antes na vida e, ainda, ganhou companhia para as longas viagens a Belo Horizonte para ver a mãe.