MESADA EDUCATIVA: VALOR VS. IDADE?

A educação financeira dos nossos filhos começa desde cedo. Com o auxílio dos pais em casa, eles lidam com a frustração de não poder comprar tudo o que querem e, assim, podem aprender a juntar dinheiro, criar uma reserva financeira e planejar a compra. A mesada educativa é, portanto, uma ferramenta importante para esse desenvolvimento. Mas como calcular a mesada? Quais são os parâmetros? Veja na sequência algumas recomendações!

Uma das imagens clássicas da infância – e muito explorada no cinema – é a de crianças guardando moedinhas no cofrinho enquanto sonham em comprar algo  – um jogo de video game ou figurinhas para o álbum.

A mensagem é clara: para que realizem seus desejos, elas precisam, antes, quantificar os ganhos e poupar dinheiro regularmente. Nas entrelinhas, a cena mostra como a mesada é um instrumento essencial para a educação financeira dos nossos filhos.

Com a mesada ou semanada, as crianças aprendem a administrar o dinheiro na prática:

. Quando gastam tudo no começo e ficam sem dinheiro no resto do mês ou da semana, elas aprendem a equilibrar as despesas ao longo do tempo;

. Quando querem um bem mais caro, elas aprendem a juntar dinheiro para comprá-lo;

. E quando julgam que o preço de um produto está alto demais, elas aprendem a escolher o mais em conta.

O valor da mesada educativa

A educação financeira dos filhos começa dentro de casa e necessita do auxílio dos pais – ajudando-os a fazer cálculos, dando conselhos financeiros e, mais importante, sendo um exemplo para eles, com um comportamento de consumo adequado.

Aqui, mostramos o exemplo hipotético de Lucas, 9 anos, e como os pais atuam no dia-a-dia para educá-lo a administrar o dinheiro. 

Mas quando o assunto é mesada, uma pergunta está sempre na cabeça dos pais: quanto devemos dar aos nossos filhos? E com qual periodicidade: semanal ou mensal?

Segundo consultores de educação financeira e psicopedagogos, não há uma regra geral sobre o valor do dinheiro da mesada. Porém, alguns conselhos podem ajudar.

Separamos, a seguir, recomendações úteis sobre o valor e a periodicidade da mesada, conforme a faixa etária dos nossos filhos:

. 3 aos 5 anos

São os primeiros contatos da criança com o dinheiro. O objetivo é que ela se habitue com a espera para receber o valor. Por isso, precisamos definir a quantia e a data para darmos o dinheiro. Nesta faixa etária, dê moedas que não excedam R$ 2 reais, semanalmente.

. 6 aos 10 anos   

Nesta faixa etária, continuamos a dar a semanada. Uma regrinha útil para definir o valor é calcular R$ 1 por semana, multiplicado pela idade do filho.

Por exemplo, um filho de 8 anos receberá na semana: R$ 1 x 8 = R$ 8.   

Nesta etapa, os pais já devem conversar com a criança sobre como poupar dinheiro e criar uma reserva financeira, estimulando a criança a pensar em um projeto pessoal ou aquisição futura para o qual destine seus recursos.

. 11 aos 18 anos

Chegou o momento de passarmos da semanada para a mesada, estabelecendo o dia do mês para dar a quantia ao nosso filho.

Uma possibilidade é entregar o dinheiro na data em que os pais recebem sua renda, para que haja o compartilhamento de experiências financeiras com os filhos ao longo do mês.

Devemos estimulá-los, nesta fase, a poupar de 20% a 30% do dinheiro para realizações futuras, de curto prazo.

Para o cálculo do valor da mesada, consideremos R$ 3 por semana, multiplicados pela idade da criança.

Por exemplo, um filho de 12 anos receberá por semana R$ 36 (R$ 3 x 12). Como estamos dando a quantia por mês, basta multiplicar este valor por quatro semanas: R$ 144.

Regras de ouro da mesada educativa

É importante ressaltar que o valor da mesada educativa pode variar conforme o orçamento familiar e a maturidade da criança.

Para que a mesada, de fato, seja uma ferramenta para a educação financeira dos nossos filhos, alguns cuidados básicos são fundamentais:

. É importante sabermos o valor da mesada dos amigos do nosso filho. Devemos dar a ele a média entre esses valores – nunca a maior ou a menor quantia.

. Calibre a mesada para não haver abundância de dinheiro, pois é a escassez que ensinará a criança a ter controle financeiro pessoal.

. E, por fim, definirmos juntos com a criança quais produtos ela deve pagar com o dinheiro da mesada ou semanada. Outros correm por conta dos pais – quando isso for possível.