COMO SE LIVRAR DAS DÍVIDAS COM O SAQUE DO FGTS INATIVO?

Bastou cair um dinheiro extra na conta – o saque do FGTS inativo – e as extravagâncias do consumo começam: é gente querendo renovar guarda-roupa, comprar carro ou viajar pro resort. Calma lá! O consumo de bens, produtos e serviços com o dinheiro sacado do FGTS inativo deve ser nossa última prioridade. Em primeiro lugar, precisamos nos livrar das dívidas para mantermos nossa saúde financeira. Vamos explicar tudo direitinho a seguir.   

O que mais se fala no Brasil hoje, depois de futebol e política, é o saque do FGTS inativo. Já começou, neste mês, a corrida dos brasileiros aos bancos e lotéricas para o saque do dinheiro. Aqui você tem todas as informações sobre o FGTS e as contas inativas. 

Todo mundo está falando do saque do FGTS inativo porque muita gente está encarando esse dinheiro – não previsto no nosso orçamento – como um bilhete premiado de loteria.

É claro: nossa primeira reação ao receber uma soma de dinheiro inesperada é queimá-la na realização dos nossos desejos de consumo. É aí que mora o perigo.

Segundo os economistas e analistas financeiros, o dinheiro do saque do FGTS inativo deve ser destinado primeiramente ao pagamento das dívidas, depois aos investimentos, e, só aí, se ainda houver sobra de recursos, estamos liberados para comprar o que quisermos.

É o que reza o bom planejamento financeiro.

Além do mais, o fundo de garantia foi instituído, em 1967, para dar proteção financeira ao cidadão em caso de desemprego sem justa causa. Ou seja, é um dinheiro que usamos para arrumar a nossa vida financeira enquanto o próximo emprego não aparece.

Por isso é importante que, agora, utilizemos o saque do FGTS inativo para o mesmo fim:  organizarmos nosso orçamento e priorizarmos o planejamento financeiro.

Segundo a Caixa Econômica Federal, 90% dos mais de 30 milhões de cidadãos com contas inativas no FGTS possuem até R$ 3 mil para sacar. Essa soma é uma ajuda e tanto para renegociar dívidas e sair do vermelho.

Vamos ver como você pode se livrar das dívidas?

Acabe primeiro com a dívida mais cruel

Os juros são companheiros inseparáveis da nossa vida financeira, como vimos aqui

Para quem está endividado, a dica é usar o dinheiro do saque do FGTS inativo para quitar, em primeiro lugar, as dívidas que pagamos mais juros e multas – como cartão de crédito e cheque especial.  

Até a recente mudança nas regras do rotativo do cartão de crédito, os juros médios chegaram a 484,6% e os do cheque especial, a 328,6% ao ano. Ora, não há rendimento no mundo capaz de superar os juros pagos neste tipo de dívida.

A recomendação é: saque o FGTS inativo e acabe com as dívidas com o cartão de crédito ou cheque especial, evitando o pagamento de juros exorbitantes.

Se o dinheiro não for suficiente, pague o que for possível da dívida e renegocie o restante com o banco, a juros menores.

Limpe o seu nome na praça

A inadimplência está em alta com a economia em crise. Quando não conseguimos pagar as prestações de uma geladeira, por exemplo, acabamos com o nome sujo no mercado e, assim, não podemos mais obter crédito ou fazer compras a prazo.

Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 58,3 milhões de brasileiros estão na lista de devedores, em 2016.

O dinheiro obtido com o saque do FGTS inativo é uma oportunidade para limpar o nome na praça. Sentamos com os nossos credores – a quem estamos devendo pagamentos atrasados – e quitamos nossa dívida ou parte dela, renegociando-a neste último caso.

O resultado é a volta do nome limpo no mercado, e o crédito novamente batendo à porta.  

Antecipe parcelas do financiamento ou pegue uma calculadora

O saque do FGTS inativo também oferece a possibilidade de anteciparmos o pagamento das prestações de um financiamento, descontando os juros das parcelas. Esta regra vale para o caso de já estarmos com a corda no pescoço no nosso orçamento.

O melhor a fazer é utilizar o dinheiro para quitar as parcelas possíveis, obter o desconto dos juros e, ainda bem, não contrair dívida ou atrasar o pagamento das prestações.

Por outro lado, se estivermos com as finanças controladas – com as prestações em dia, dentro do orçamento, sem maiores apertos –, pode ser mais interessante seguir pagando as parcelas, mesmo com os juros, e investir o dinheiro do saque do FGTS inativo.

Um exemplo:

Faltam cinco prestações de R$ 450 para quitarmos definitivamente a compra do nosso sofá-cama instalado na sala de estar. Em cada prestação, há R$ 20 de juros embutidos.

Ou seja, em cinco meses, devemos pagar o total de R$ 2.250 em prestações, dos quais R$ 100 são juros.

Uma coincidência: o saque do nosso FGTS inativo foi exatamente de R$ 2.250!

Então, uma dúvida: utilizamos o montante sacado para pagar todas as prestações de uma vez e receber o desconto dos juros, no valor de R$ 100, ou é melhor investir esse dinheiro e ganhar o rendimento?

Se aplicarmos os R$ 2.250 do saque do FGTS inativo em um fundo de investimento que renda 1% ao mês, por exemplo, ao final de cinco meses este valor será de R$ 2364,77.

Nosso rendimento líquido no período foi: R$ 2.364,77 – R$ 2.250 = R$ 114,77.

Portanto, é mais vantajoso aplicarmos o dinheiro do saque do FGTS inativo, pois vamos ganhar R$ 114,77 em rendimentos contra R$ 100 em descontos dos juros das parcelas, em um mesmo período de cinco meses.

Para os bem-aventurados que, livres das dívidas, terão o dinheiro do saque do FGTS inativo inteiramente a seu dispor, aqui há várias dicas para investir conforme o valor a ser aplicado e os fundos mais rentáveis.