JUROS: LIDAMOS COM ELES DO JEITO CERTO?

Os juros são companheiros inseparáveis da nossa vida financeira. Sempre que tomamos um empréstimo, investimos dinheiro em um fundo ou atrasamos o pagamento da fatura do cartão de crédito, lidamos com os juros envolvidos nessas transações. Para simplificar: onde tem dinheiro, tem juro!

O Brasil possui uma das maiores taxas de juros do planeta. Para se ter uma ideia, a Selic – taxa básica de juros do país – está atualmente na casa dos 14% ao ano, ao passo que, nos Estados Unidos, ela gira em torno de 0,25 a 0,5%. Mas qual o impacto disso na nossa vida? É muito simples: com taxas de juros elevadas, o dinheiro “fica mais caro”. Ou seja, quando utilizamos recursos financeiros de terceiros, por exemplo um empréstimo ou crédito do banco, temos de desembolsar mais por ele – em outras palavras, pagamos mais juros.

Segundo dados do Banco Central, os juros cobrados atualmente pelos bancos em operações com cartão de crédito chegam em média a mais de 480% ao ano e, em operações com cheque especial, a 325% ao ano. Com cifras tão exorbitantes, é essencial cuidar muito bem da nossa saúde financeira. O planejamento dos gastos e receitas pessoais nos ajuda a controlar o fluxo de dinheiro que entra e sai da conta bancária e reduz as chances de endividamento e de pagamento de juros e multas.

A seguir, elencamos dicas importantes para uma gestão financeira eficiente no dia-a-dia, bem longe dos juros.

 

Entender os gastos é básico

Precisamos saber exatamente quanto gastamos por mês. Caso os nossos gastos superem os ganhos, é hora de rever hábitos, cortar despesas desnecessárias e ajustar o orçamento o quanto antes. Existem aplicativos de finanças pessoais, para o celular, que nos ajudam a registrar despesas e receitas diárias e geram gráficos que mostram onde estamos gastando mais. Com esse diagnóstico em mãos, estaremos mais aptos e seguros para cortar despesas supérfluas e manter o orçamento sob controle.

 

Cartão de crédito é mocinho

O cartão de crédito, se bem utilizado, traz benefícios ao usuário. Ele nos ajuda a adquirir bens que, à vista, não teríamos condições de pagar, e ainda ficamos com o dinheiro por mais tempo no bolso, rendendo como investimento no banco. O correto é colocar no cartão de crédito somente despesas com as quais possamos arcar futuramente, e, claro, pagar o valor total da fatura a cada mês, dentro do prazo de vencimento. Desta maneira, o único dinheiro que deixaremos para a operadora de crédito será a anuidade do uso do serviço de crédito – valor que, aliás, pode ser negociado com a instituição financeira.

 

E também vilão

Mas… se atrasamos o pagamento do cartão de crédito ou optamos por quitar apenas o valor mínimo devido na futura, então estaremos prestes a conhecer o lado negativo do crédito. Os juros aplicados para quem está devendo no cartão são os maiores do mercado e, se não forem liquidados, crescem mês a mês como uma bola de neve. A recomendação é nunca optar pelo pagamento mínimo do cartão, para fugir da dívida e da rolagem dos juros sobre ela a cada mês. Contudo, se a dívida no cartão já tiver estourado a nossa capacidade de pagamento, a opção é buscar um empréstimo a juros mais baixos no mercado e liquidar o compromisso com o cartão. Neste caso, devemos buscar uma taxa de juros que não exceda 3% ao mês, com parcelas que caibam no nosso bolso.


Um exemplo:

JUROS: LIDAMOS COM ELES DO JEITO CERTO?

 

Cheque especial não é receita!

No planejamento financeiro, não podemos incluir o limite do cheque especial como parte da nossa receita. Precisamos lembrar que este dinheiro não é nosso, mas do banco. E, para utilizá-lo, temos de pagar o “aluguel” desta quantia à instituição financeira que nos está emprestando o dinheiro – em outras palavras, pagamos os juros. Por isso, só devemos entrar no cheque especial em casos emergenciais, pois incidem sobre ele juros extremamente altos, proibitivos.

 

Controle contas e prazos

Entra mês, sai mês, e a história se repete: pagamos contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU, TV a cabo, cartão de crédito, seguro do carro, prestação do imóvel e boletos e mais boletos. Com a rotina pessoal e de trabalho cada vez mais corrida e atribulada, é muito comum nos esquecermos das contas (são tantas!) e perdermos prazos de vencimento. Já diz o ditado: aqui se faz, aqui se paga. No caso do esquecimento de uma conta, pagamos com multa e juros – e caro! Além disso, trata-se de uma despesa que não estava prevista no nosso planejamento financeiro. Se os nossos ganhos forem próximos dos gastos, multas e juros decorrentes da falta de pagamento das contas podem levar nosso orçamento para o vermelho.

Há muitas maneiras de evitar dor de cabeça com contas atrasadas. Primeiro, devemos fazer uma lista de todas as contas que pagamos por mês, com as respectivas datas de vencimento. Com esse mapeamento realizado, podemos, por exemplo, colocar algumas contas no débito automático, embora isso não seja possível para todas elas. Além disso, muitas pessoas sentem-se desconfortáveis em permitir o débito no banco antes de checar os dados de cobrança da conta. Uma solução interessante é utilizarmos aplicativos que nos ajudem a organizar o pagamento das contas, como o Papelada. O aplicativo reúne todas as nossas contas em um único ambiente virtual e nos lembra do vencimento de cada prazo, oferecendo, ainda, uma análise financeira dos nossos gastos. É uma ferramenta de controle e organização das nossas contas, evitando que entremos na ciranda das multas e juros, tão prejudicial às nossas finanças.