Portabilidade de crédito: a busca por juros mais baixos

Portabilidade de crédito cresce com a queda da SELIC: entenda como ela funciona

A portabilidade de crédito foi criada em 2006 pelo Banco Central para incentivar a concorrência entre as instituições financeiras.

Com ela, o consumidor pode transferir suas dívidas de um banco para outro, a partir de um acordo do devedor com o novo banco, que aceita comprar a dívida e oferecer melhores condições.

Ano passado, essa opção foi bastante procurada, impulsionada pela queda da SELIC, que levou os consumidores a procurarem juros mais baixos.

Mas você sabe como funciona a portabilidade de crédito?

A seguir, listamos o que deve ser observado neste processo e como fazê-lo:

1) Solicite informações do seu financiamento atual

O primeiro passo é saber se a portabilidade de crédito é vantajosa para você e para isso você tem que pedir informações detalhadas da sua dívida atual, como o valor, as prestações que faltam e os juros cobrados.

De todos estes dados, o mais importante é o Custo Efetivo Total (CET), que inclui taxas, seguros e impostos. É ele que vai revelar quanto sua dívida, de fato, custa.

Todos os bancos são obrigados a fornecerem estes dados, de acordo com resolução do Banco Central, no prazo máximo de 15 dias.

2) Fique de olho em vantagens reais

Você pode começar sua pesquisa pelos sites das instituições financeiras, mas a melhor opção é ir pessoalmente às agências, já com os dados de sua dívida atual em mãos.

O importante é não confundir a portabilidade de crédito com renegociação de dívida: ou seja, o saldo devedor deve permanecer o mesmo, o que muda é a taxa de juros.

Então fique de olho no CET e não apenas na taxa de juros ao comparar as condições de cada banco.

Vale lembrar que nenhum banco é obrigado a aceitar a portabilidade do crédito. A instituição avalia o tipo da dívida e o histórico de pagamento e então define o que fazer.

Em caso de aceite, ela irá fazer o pagamento integral do débito ao antigo credor e deve emitir um comprovante de que a operação foi realizada ao cliente, avisando-o sobre a transferência da dívida.

3) Além das taxas bancárias

Em caso de portabilidade de crédito imobiliário ou automotivo, é preciso analisar o peso dos gastos adicionais que uma mudança vai trazer.

Para transferir a dívida de um imóvel, por exemplo, as instituições exigem uma nova avaliação do imóvel.

Além disso, a portabilidade geraria gastos com cartório para confecção de novos contratos de alienação e também para atualização da matrícula do imóvel.

No caso de veículo, haverá custos com a transferência de propriedade de um banco para outro.

Ou seja, todos os possíveis gastos que serão incorridos com a possível mudança devem entrar na conta.

4) Todo cuidado é pouco

É muito importante tomar cuidado com a ação de golpistas e não se deixar enganar por condições muito melhores que a média do mercado.

Além disso, a prática de “venda casada” também é proibida. Ou seja, o banco não pode obrigar o consumidor a adquirir qualquer produto para garantir a portabilidade do crédito.

5) Procure ajuda

Se você fez todo o processo de coletar informações e propostas, mas não se sente 100% seguro do que fazer, busque ajuda de um especialista, amigo ou do Procon.

O importante é fazer a portabilidade de crédito com a segurança de que é o melhor negócio para o seu caso e não acabar gerando uma dor de cabeça e, pior, pagando mais caro.