ORGANIZAÇÃO JÁ: VIAGEM NÃO PODE VIRAR DÍVIDA!

Todos nós já ouvimos alguém dizer a seguinte frase, com um sorriso no rosto: “Viajar é a melhor coisa do mundo!”. Mas, como tudo na vida, a viagem nos custa um preço, especialmente se o destino for o exterior do país. Devemos ter cuidado para não cairmos na armadilha de assumir despesas incompatíveis com a nossa renda. Por isso é preciso ter organização. Caso contrário, corremos o risco de termos o orçamento estourado, faturas ‘gordas’ no cartão de crédito e utilização do cheque especial, com a cobrança de juros e multas.

E tudo que não queremos é que nossas viagens de férias se tornem um pesadelo de gastos, despesas e endividamento. O remédio para fugirmos desta cilada é simples: planejamento e organização. Assim, conseguimos equacionar os gastos futuros da viagem à nossa renda, aproveitando o destino das férias ao máximo – e dentro das nossas possibilidades.

A seguir, listamos sete dicas fundamentais para aprimorar a organização das nossas viagens. Assim gastamos o nosso dinheirinho com mais tranquilidade, evitando apertos financeiros indesejados.

  1. Decidir com muita antecedência

Planejar é tomar decisões. Assim que chegarmos da nossa viagem de férias, já temos de pensar na próxima. O motivo é simples: teremos mais tempo para nos planejarmos, juntar dinheiro e parcelar as despesas com a viagem. O primeiro passo é respondermos às seguintes perguntas: Quais destinos queremos conhecer? Nossa próxima viagem terá quantos dias? Vamos agendar voos, hospedagens e passeios por conta própria, na internet, ou utilizaremos os serviços das agências de turismo? Com as respostas em mãos, avançamos na nossa organização.

  1. Calcular a despesa total

Ao decidirmos o nosso destino turístico, precisamos calcular quanto a viagem irá nos custar.  Só assim será possível avaliarmos se o dinheiro previsto está dentro ou fora do nosso orçamento, e, caso não esteja, fazermos as adequações necessárias. O ideal é obedecermos à seguinte distribuição de gastos no nosso orçamento, incluindo os investimentos com viagem:

. Um terço da renda com despesas fixas (mensalidades escolares, aluguéis, prestações da casa própria, condomínio, luz, gás);

. Um terço da renda com despesas variáveis (alimentação, transporte, lazer etc);

. Um terço da renda para poupança e viagens – deste total, devemos reservar 50% para aplicações financeiras e os 50% restantes para custeio da nossa próxima viagem de férias.

Exemplo de cálculo das despesas:

Cecília já decidiu o seu próximo destino das férias: Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ela ficará 15 dias na cidade. Vai fazer a organização sozinha – voos, hospedagens, passeios. A viagem acontecerá daqui a 11 meses. Cecília tem uma renda mensal líquida de R$ 9 mil. Após uma semana de pesquisas na internet, ela estimou as despesas com a viagem:

. Voos São Paulo-Nova Iorque-São Paulo: R$ 3 mil

. Hospedagem: média de R$ 480 por dia; multiplicado por 15 dias, o total é de R$ 7.200

. Traslados no aeroporto em Nova Iorque: cerca de US$ 40, convertidos para R$ 150

. Traslados no aeroporto em São Paulo: cerca de R$ 200

. Gastos diários em Nova Iorque (transporte, alimentação, passeios, lazer): 100 dólares por dia; o total é de 1500 dólares, ou R$ 5.700,00

. Seguro-saúde internacional: já está incluído no seu plano de saúde nacional

Cecília somou todos os itens e chegou ao custo total aproximado da viagem: R$ 16.250. Ela dividiu este valor pelos 11 meses que a separam das férias, chegando ao montante de R$ 1.477 por mês, ou seja, é quanto ela precisaria economizar mensalmente para arcar com todos os custos da viagem. A seguir, ela calculou um terço da sua renda, que é a parte de recursos destinada à poupança e viagens: R$ 3 mil. Conforme orienta o bom planejamento, ela estimou metade deste valor somente para custos com viagens, ou seja, R$ 1.500 por mês. Como podemos perceber, a estimativa de gasto mensal com as despesas da viagem (R$ 1.477) é inferior à renda líquida mensal reservada para as férias (R$ 1.500). Logo, a ida de Cecília para Nova Iorque é viável e está dentro do orçamento.

  1. Pesquisar, pesquisar e pesquisar

Com a ajuda da internet e de aplicativos para celular, conseguimos ter acesso a uma ampla oferta de serviços e produtos, a preços mais baixos, para a nossa viagem. Há sites e aplicativos que comparam preços de passagens aéreas e hotéis, por exemplo, e ranqueiam os mais em conta, os mais caros, os com melhor custo-benefício ou os com tarifas promocionais, para que façamos as nossas reservas. O importante é pesquisarmos a fundo para obtermos as melhores tarifas de hospedagens, trechos aéreos, passeios turísticos, aluguel de carro e traslados. Quanto mais economizarmos nessas reservas, mais dinheiro sobrará para os gastos durante a viagem.

  1. Reservar voos e hospedagem o quanto antes

O ideal é fazermos as reservas de voos e hospedagem – parte considerável dos gastos com viagens – com seis meses de antecedência. Quanto mais demorarmos, maior a tendência de as tarifas subirem, ampliando nossos custos e fragilizando o orçamento. Ao nos anteciparmos, também dispomos de prazo suficiente para parcelar os gastos e diluir o impacto deles no nosso orçamento, mês a mês.

  1. Evitar o cartão de crédito

Em viagens ao exterior, devemos levar, de preferência, dinheiro em espécie e/ou cartões pré-pagos. O melhor é uma combinação entre eles. Se pretendemos gastar mil dólares na viagem, por exemplo, podemos comprar 400 dólares em dinheiro e colocar os restantes no cartão pré-pago. O importante é evitarmos a utilização do cartão de crédito, pois a cada compra que realizamos fora do país incidem 6,38% em impostos, além de possíveis flutuações do câmbio até o fechamento da fatura do cartão.

  1. Cuidar da lombar e do bolso

Para a viagem, devemos levar apenas o necessário na bagagem, de acordo com as condições meteorológicas do nosso destino. Malas mais leves têm três benefícios: não pagamos excesso de bagagem, conseguimos nos deslocar com mais facilidade por transporte público nos traslados dos aeroportos e, ainda, temos espaço disponível para trazermos presentes e lembranças.

  1. Evitar o roaming internacional

No caso de viagens para o exterior, precisamos ter muito cuidado ao levar o nosso celular, para não pagarmos as tarifas de roaming internacional. Este serviço costuma ser habilitado automaticamente pelas operadoras de telefonia celular e permite que façamos ou recebamos ligações no exterior. No entanto, os preços cobrados pelas diárias de utilização do serviço são exorbitantes e podem destruir nosso planejamento financeiro para a viagem. A recomendação é deixarmos o chip do nosso celular em casa, no Brasil, e só levarmos o aparelho. Assim que chegarmos ao nosso destino, comprarmos um chip pré-pago e o utilizarmos durante a viagem, recarregando-o conforme a necessidade.