BOLETOS FALSOS: SABEMOS OS RISCOS QUE CORREMOS?

Recentemente, o apresentador Luciano Huck, da TV Globo, viu-se envolvido em uma polêmica nacional, relacionada à divulgação, pela mídia, de uma suposta fatura do seu cartão de crédito, no valor de R$ 281 mil. A assessoria de imprensa de Huck veio a público, na sequência, para informar de que se tratava de um documento falso. O caso, ocorrido com uma celebridade, serviu para jogar luz em um tipo de fraude que prejudica milhares de pessoas no país, todos os dias: a falsificação de documentos a pagar, como faturas e boletos.

Ciente das nossas obrigações financeiras, procuramos pagar boletos e contas em dia. Assim honramos nossos compromissos e evitamos juros, multas e a interrupção dos serviços contratados. Apesar de nossas boas intenções – trabalhamos muito para ter dinheiro e poder pagar as contas de nossas necessidades e desejos –, há quadrilhas especializadas em fraudar nossas contas a pagar, especialmente boletos, desviando o dinheiro do pagamento para contas bancárias de impostores. E pior: muitas vezes, só ficamos sabendo que fomos vítimas de um golpe quando percebemos que os boletos que supostamente tínhamos pago seguem em aberto, à espera de quitação.

Como podemos nos prevenir desses golpes? Como é possível identificar essas manobras fraudulentas? Como as quadrilhas operam para burlar nossas contas a pagar, nossos boletos? Para respondermos a essas questões, listamos as fraudes mais comuns que estão sendo realizadas no Brasil e também algumas dicas sobre como podemos nos proteger desses golpes.

 

O mal da correspondência

O que é: Ocorre quando recebemos correspondências com cobranças semelhantes às contas originais. Porém, os dados bancários do documento foram alterados e, ao pagarmos, o dinheiro vai para a conta dos fraudadores.

Exemplo: Abaixo, a figura de um boleto falso. A logomarca é do Banco do Brasil, porém o código do banco, 341, em vermelho, é do Itaú. Os dígitos do campo ‘Nosso número’, à direita, destacado em vermelho, não são iguais aos números que se seguem ao código do banco, no topo do documento. Eles deveriam ser iguais. O boleto é falso.

Fonte figura: Uol Tecnologia
Fonte figura: Uol Tecnologia

 

O mal dos sites de recálculo

O que é: Muitas vezes, quanto uma conta vence, entramos em páginas da internet que recalculam o pagamento, adicionando taxas e juros. Geralmente, esses sites pedem as informações do boleto para gerar uma nova cobrança, que é burlada. Ao pagarmos, o dinheiro vai para a conta dos fraudadores, como descrevemos no tópico anterior.

 

O mal do e-mail

O que é: Quem nunca recebeu e-mails ameaçadores com mensagens do tipo “urgente” ou “boleto em aberto”? Como se estivéssemos com contas não quitadas, esses e-mails chegam às nossas caixas portando links falsos para a geração do boleto. É um golpe: esses links podem nos conduzir a páginas que emitem boletos fraudados ou, ainda pior, instalam trojans – programas maliciosos – nos nossos computadores. Esses trojans monitoram nossas atividades no PC e atuam sempre que vamos emitir boletos na internet, modificando os códigos do documento com os números das contas bancárias dos fraudadores (veja mais no tópico a seguir).

 

O Bolware ou o Mal do Boleto

O que é: Ocorre quando clicamos em links de e-mails de origem desconhecida. Esses e-mails geralmente chegam à nossa caixa como spams, solicitando a atualização de dados cadastrais ou bancários, trazendo nossas fotos pessoais ou nos alarmando com supostas contas em aberto. Ao clicarmos nesses links, acabamos instalando em nossas máquinas programas maliciosos que agem sempre que estivermos no site do banco, digitando o código do boleto. O programa percebe a ação, intercepta a comunicação, copia o código do boleto, troca-o por um falso sem que percebamos e, assim, direciona o dinheiro do nosso pagamento para contas bancárias fraudulentas. O golpe também atinge as compras online. Ao fecharmos a compra de um livro em uma loja online, por exemplo, o programa malicioso intercepta o envio do boleto autêntico, troca seus dados e envia o boleto falso para a vítima, que, de posse do documento, acaba pagando-o sem se dar conta de que se trata de fraude.

 

E agora, o que fazemos?

Com essas ameaças batendo literalmente à nossa porta – tanto física quanto virtual -, é muito importante estarmos bem informados e preparados para agir e nos proteger contra elas. Desde recomendações simples até a adoção de plataformas tecnológicas que coíbem a prática fraudulenta do boleto ou da conta falsificada, tudo vale a pena para evitar as dores de cabeça decorrentes desses golpes.

Elencamos abaixo algumas dicas fundamentais para que estejamos mais protegidos:

  1. Precisamos verificar se o valor a ser pago, o nome do beneficiário, a logomarca e o código do banco e a numeração do boleto estão iguais em todo o documento. Durante essa checagem, se notarmos números incongruentes, e, ainda, erros de português ou de formatação do documento, então provavelmente se trata de um boleto falso. Na figura abaixo, mostramos um exemplo de boleto legítimo, em que a logomarca do banco coincide com o seu código, 104, que, por sua vez, são os três primeiros algarismos do número do boleto. Para checar o código dos bancos, basta acessar o site da Febraban.
caixa-boleto
Fonte figura: Caixa Econômica Federal
  1. Caso suspeitemos da conta ou boleto que chegou em nossa casa, devemos ligar para o gerente do banco ou empresa que emitiu a fatura e checarmos a veracidade dos dados e do documento.
  2. Só devemos emitir segunda via de boletos e contas a pagar nos sites oficiais de bancos e empresas, ou de parceiros oficiais declarados dessas instituições que também façam essa emissão.
  3. Bancos e empresas raramente cobram o pagamento de contas atrasadas por e-mail. Por isso jamais devemos abrir e-mails alarmistas, muito menos clicar em seus links.
  4. As transações bancárias e de pagamento realizadas pelo celular não estão na mira dos hackers e, portanto, são mais seguras. Devemos optar por gerar nossos boletos no celular ou tablet, uma vez que vírus e programas maliciosos, como os bolwares, ainda não foram identificados em smartphones.
  5. Precisamos conferir regularmente se o nosso computador está limpo de vírus e programas maliciosos. O ideal é rodarmos o antivírus semanalmente.
  6. Uma solução atual e moderna é utilizarmos aplicativos de celular que buscam as nossas contas diretamente nos emissores, como bancos, instituições e empresas, e reúnem todas elas em um único ambiente virtual, como faz o app papelada. A segurança é muito maior, pois há a garantia de que a conta foi gerada pelo emissor e disponibilizada no nosso perfil, dentro do aplicativo. Além disso, a plataforma está integrada aos sites dos bancos, permitindo que paguemos as nossas contas sem sair dele, evitando manuseio de boletos e digitação de códigos de barras.