Crowdfunding: envolva as pessoas na sua causa

Em tempos de economia colaborativa, o crowdfunding, ou financiamento coletivo, é uma possibilidade bastante realista para quem quer tirar uma ideia do papel. Usando uma plataforma online de crowdfunding, muitas pessoas e empresas têm colocado em prática ideias interessantes e relevantes que talvez não teriam passado de um esboço se dependessem apenas de um financiamento convencional ou patrocínio. Para explicar melhor como funciona esse mercado, o papelada conversou com Candice Pascoal, CEO da Kickante, uma das maiores plataformas de crowdfunding do Brasil.

O crowdfunding surgiu nos Estados Unidos em 2005, mas foi em 2009 que começou a ganhar reconhecimento global. No Brasil, chegou dois anos depois e vem ganhando força desde então. O princípio básico é despertar o desejo de pessoas para investirem em iniciativas das mais diversas naturezas – projetos de interesse coletivo, esportivo, artístico ou tecnológico. Para captar interessados em contribuir, o idealizador do projeto inscreve suas ideias em uma plataforma de crowdfunding. É por isso que muitas pessoas chamam esse meio de financiamento de “vaquinha virtual”.

No Brasil há uma estimativa de 20 plataformas ativas, algumas especializadas em terceiro setor, causas animais ou tecnologia, por exemplo. Outras fazem uma curadoria para selecionar as campanhas. E há também aquelas que não fazem distinção de tema, como é o caso da Kickante. Candice Pascoal, CEO da Kickante, conta que os projetos mais populares na plataforma são ligados a causas e arte. “Porém, vemos empreendedorismo e inovação crescer bastante”, complementa.

O crowdfunding atrai muitos empreendedores que precisam levantar fundos para seus projetos, mas não querem enfrentar burocracias e morosidade em sistemas finaceiros. Em outros países já há uma movimentação para financiamento de startups por crowdfunding, oferecendo como recompensa participação societária para os investidores. Aqui no Brasil até pouco tempo essa operação era proibida, mas acabou de ser regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a nova regra, empresas com faturamento menor que R$ 10 milhões por ano podem arrecadar até R$ 5 milhões por meio da ferramenta.

Esse passo demonstra que o crowdfunding está tomando proporção no país. Só na Kickante em 2016, foram 24.686 campanhas lançadas, arrecadando mais de 18 milhões de reais. Desde o lançamento da plataforma já são mais de 51 mil campanhas e somando quase R$ 40 milhões em colaborações.

Os números são animadores, mas para atingir sucesso na arrecadação não basta lançar uma ideia e esperar pelas doações. “O que define o sucesso do projeto é a dedicação e garra do criador. Captar bem via crowdfunding exige esforço de divulgação, de relacionamento. Na Kickante, damos muito apoio aos projetos com estratégia, acompanhamento e muitas dicas para que tenham sucesso” reforça Candice. O blog da plataforma traz muito conteúdo para quem está começando.

Não é obrigatório, mas alguns projetos oferecem como contrapartida para doadores recompensas que podem ser um produto ou serviço relacionado ao projeto financiado, um desconto no preço final do produto (se ele chegar a ser lançado) ou ainda algo emocional, como um post nas redes sociais mencionando o doador. Mas nem sempre a recompensa não é o objetivo principal. Candice explica que “para algumas campanhas, as recompensas são muito importantes. Muitos contribuem somente para ganhar um CD  ou ter um encontro com o seu artista favorito, por exemplo. Já para as campanhas de Saúde, Meio Ambiente e Terceiro Setor, a causa, a vontade de ajudar atrai muito mais do que as recompensas.”

É importante saber que as plataformas costumam cobrar entre 5% a 15% de comissão por cada projeto. Então é preciso calcular o valor solicitado para investimento no projeto já considerando a comissão.