Open banking: a portabilidade dos bancos vem aí

Open banking promete facilitar a vida dos correntistas e revolucionar o setor bancário

Open banking é uma nova tecnologia que promete revolucionar a relação entre correntistas e banco, colocando o controle dos dados e recursos nas mãos do cliente, como uma linha de celular, que você faz portabilidade de uma operadora para outra.

Com isso, o correntista poderá acessar sua conta bancária no aplicativo de um banco concorrente ou reunir todas as suas movimentações de crédito ou débito em um único cartão.

Essa tecnologia possibilitará também que terceiros acessem e até movimentem recursos de contas diferentes do correntista, desde que tenha autorização do cliente, claro.

O modelo se assemelha ao que já fazem algumas startups de tecnologia voltadas para o segmento financeiro, como o Guia Bolso, que se conecta à conta do usuário e classifica os gastos por categoria.

A diferença é que com o open banking, o cliente não vai precisar compartilhar sua senha, como acontece atualmente com o Guia Bolso.

Quem esta na dianteira dessa nova conduta é o Reino Unido, que determinou que nove das suas maiores instituições financeiras criassem interfaces digitais (APIs), que permitam aos consumidores compartilharem seus dados bancários com terceiros.

Aqui no Brasil, ainda não há uma regulamentação específica, mas alguns bancos, como o Banco do Brasil, já estão testando aplicações baseadas neste novo conceito

Portabilidade bancária

Se na telefonia, o consumidor pode levar sua linha móvel para outra operadora, o open banking irá ampliar este conceito de portabilidade.

Num futuro próximo, correntistas de um banco poderão realizar investimentos através de outro serviço, movimentar várias contas e fazer pagamentos via terceiros, por exemplo, tudo através da mesma plataforma.

Com isso, além de poderem escolher o serviço que melhor atendem suas necessidades, também poderão basear suas escolhas no custo de cada serviço, o que promete esquentar ainda mais a disputa dos bancos com as fintechs.

Mas e o sigilo bancário?

Uma questão que sempre assombra bancos e correntistas quando se fala em abertura de dados é o sigilo bancário.

E isso já deu até processo: em 2016, o Bradesco entrou com uma ação contra o app Guia Bolso alegando que a coleta de dados de transações realizadas criava uma vulnerabilidade no sistema e poderia prejudicar correntistas do banco.

Com a implementação do open banking, esse tipo de queixa será resolvida, já que os bancos serão incentivados a criar formas seguras para que serviços de terceiros acessem os dados do cliente, sempre com anuência dele.

Além disso, esses terceiros – fintechs e empresas de produtos financeiros – que se conectarem aos bancos para acessar os dados também serão responsáveis pelo sigilo bancário dos usuários.

Vale lembrar, porém, que o setor ainda não tem regulamentação neste sentido, então, por enquanto, cabe aos usuários serem criteriosos antes de autorizar o acesso aos seus dados bancários.

O fato é que a tecnologia está cada dia mais mudando nossa maneira de viver, desburocratizando processos e descomplicando o acesso às informações.

Tudo isso, possibilita às pessoas ter mais liberdade de escolha, baseada na qualidade dos serviços oferecidos, na sua experiência como consumidor e, claro, em menores custos e melhores ganhos.

A era do open banking vem aí!